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Ig. Metodista se posiciona contra opressão aos índios guarani-kaiowá

1.11.12 |

Uma carta da comunidade indígena Pyelito Kue, na qual seus 170 habitantes, entre mulheres, homens e crianças, declaram que estão dispostos a uma 'morte coletiva' para não abandonar suas terras ancestrais, coloca em destaque a situação dramática vivida por parte dos 45.000 guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul.

As famílias Pyelito Kue, cansadas de esperar em acampamentos lotados e aldeias beirando as estradas que o governo devolva seus territórios, decidiram há um ano ocupar parte desta terra que eles reivindicam, localizada a cerca de 500 km da capital do estado.
Em meados de outubro, um tribunal ordenou que este grupo de 170 índios deixasse o território ocupado, o que fez com que alertassem que estavam prontos para morrer, em uma mensagem que rodou o mundo inteiro. O governo recorreu da decisão em favor dos índios, e na terça-feira, dia 30, um tribunal concordou que continuem no local à espera que o Executivo demarque suas terras.

Representantes e líderes guarani-kaiowá de Mato Grosso do Sul denunciaram em Brasília esta situação, que se repete em dezenas de territórios do estado.

A Igreja Metodista trabalha desde 1928 com os índios guarani-kaiowá de Mato Grosso do Sul. Conheça o posicionamento da Igreja sobre este conflito:

Primeiramente, o fato do povo metodista não ter conhecimento da presença da Igreja Metodista junto e com os povos indígenas em 10 frentes no Brasil, sendo que hoje estamos em 3 frentes, quer dizer que infelizmente, nosso povo só busca informação e se manifesta quando existe uma notícia de repercussão internacional.

A Igreja Metodista desde 1928 está presente com o povo Guaraní/Kaiowá no MS, lutando com os mesmos em sua luta pela vida, e nos últimos 29 anos com Pastor Paulo e Pastora Ima.


Informo ainda, que no ano corrente saíram várias reportagens no órgão oficial da Igreja-Expositor Cristão, sobre os trabalhos executados pela Igreja junto aos povos indígenas, inclusive com visita da nossa Secretária Executiva para a Vida e Missão da Igreja - Revda. Joana D'Arc Meireles. E ainda mantemos uma comunidade no site Brasil Metodista com postagem de notícias, quase que diárias, mas com apenas 75 membros!!!!

Mas vamos lá: O que fazer?

Se a interpretação dada pela imprensa: "Grupo de 170 índios ameaça fazer suicídio coletivo em Iguatemi" (Dourados News, 24/10/2012), fosse de morte coletiva: " decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos", com certeza, a repercussão não teria grande alarde, pois seria apenas mais uma notícia de despejo, determinada por juiz de 1ª instância como esta: “MPF pede novo mandado judicial para desocupação de terra indígena em Mato Grosso” (Conesulnews - 27/10/2012)

O Ministério Público Federal em Mato Grosso entrou com uma nova ação na Justiça pedindo a retirada de fazendeiros da Terra Indígena Marãiwatsédé, no norte do estado. A área pertence aos índios xavantes, mas é ocupada ilegalmente por cerca de 7 mil não indígenas.

Mas, quando se fala em suicídio coletivo, isso gera certa comoção, pois o suicídio individual de crianças e adolescentes não causa mais impacto. Isso porque, embora nunca tenha ocorrido suicídio coletivo entre os Guarani/Kaiowá, o individual continua acontecendo com frequência desde 1989 (ver notícia da Globo onde repórter faz menção a uma matéria de uma revista e fala em 863 suicídios contabilizados.)


Vemos este número como bem maior com certeza, pois muitos não são registrados. Entre os contabilizados pelo repórter não está uma indígena de 15 anos da aldeia Bororó em Dourados que suicidou no final da semana passada, o que não foi noticiado pela imprensa local.

Com relação aos despejos, a repercussão é quase a mesma do suicídio individual, haja vista que, muitas comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul já foram despejadas pelo menos cinco vezes e não houve repercussão alguma, como foi o caso das aldeias: Cerro Marangatu, Campestre, Guassuti, Jarará, Sucuruí, Rio Brilhante, Lima Campo, Porto Lindo e outras.

Hoje, por causa da repercussão internacional que teve essa notícia de "suicídio", os setores do governo (legislativo e executivo), mostram rapidez em tomarem providências, ainda que seja, "pra inglês ver" como é o caso da notícia de 27/10/2012 - Dourados News: "situação de Guaranís/Kaiowás será tema de audiência da Comissão de Direitos Humanos”.

Quando o presidente da Comissão, senador Paulo Paim do PT do Rio Grande do Sul afirmou que pretende realizar o debate com as partes envolvidas no conflito, o quanto antes. E ainda o senador Rodrigo Rollemberg do PSB do Distrito Federal, afirmou: "uma tragédia comprometeria a imagem do Brasil no mundo inteiro e causaria enorme prejuízo à etnia".

É muito bom lembrar, que em outros momentos, já aconteceram CPI’s por causa dos suicídios, por causa da desnutrição e por causa da terra com presença de deputados na reserva indígena de Dourados e em outras aldeias com muita repercussão e pouquíssima ação. 
É bom observar que para essa reunião dos deputados com as lideranças indígenas do Bororó foram usadas as dependências da Missão Metodista Tapeporã e no decorrer desta reunião, lideranças indígenas enfatizaram a importância da Igreja Metodista e da Missão Kaiowá, da Igreja Presbiteriana.


O que fazemos?


No documento da Igreja Metodista - Diretrizes Pastorais para a Ação Missionária Indigenista - 1999, em sua página 13, aborda sobre a posse da terra que é também uma garantia constitucional. A Igreja Metodista entende que a terra é garantia da alimentação, da saúde, da alegria, da celebração, da memória das lutas de resistência e da esperança dos povos indígenas. Dentro desse seu entendimento, ela se compromete entre outros, a denunciar e condenar qualquer invasão a essas terras.
De forma que toda e qualquer iniciativa, tal qual a manifestação de apoio aos Guaranis em Fortaleza e de 9 de Novembro, Ato Nacional em Apoio ao Povo Guarani Kaiowá (várias cidades estão se articulando para organizar atos de apoio ao povo Guarani Kaiowá) são muito bem vindas e é importante que os/as metodistas estejam envolvidos/as, manifestando-se, somando esforços com outras pessoas e grupos, na promoção da vida e contra qualquer ação que venha produzir morte.



Pastora Maria Imaculada Conceição Costa
Pessoa de Referência para a Pastoral Indigenista da Igreja Metodista

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